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Quilombos

johnylucena 24-09-2008 GTM 8 @ 01:33 Tags:

zumbi-dos-palmares-2.gifOs quilombos, que na língua banto significam "povoação", funcionavam como núcleos habitacionais e comerciais, além de local de resistência à escravidão, já que abrigavam escravos fugidos de fazendas. No Brasil, o mais famoso deles foi Palmares.

Criado no final de 1590 a partir de um pequeno refúgio de escravos localizado na Serra da Barriga, em Alagoas, Palmares se fortificou, chegando a reunir quase 30 mil pessoas. Transformou-se num estado autônomo, resistiu aos ataques holandeses, luso-brasileiros e bandeirantes paulistas, e foi totalmente destruído em 1716.

Embora não existam mais quilombos por aqui, comunidades remanescentes se instalaram em vários estados do país. No total, 743 foram identificadas, mas só 29 foram tituladas oficialmente pelo governo.

Localizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Maranhão, Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Sergipe, Goiás e Amapá, estas comunidades detém os Direitos Culturais Históricos, assegurados pelos artigos 215 e 216 da Constituição Federal que tratam das questões relativas à preservação dos valores culturais da população negra. Além disso, suas terras são consideradas Território Cultural Nacional.

Estima-se que 2 milhões de pessoas vivam nestas comunidades organizadas para garantir o direito à propriedade da terra. Segundo a Fundação Cultural Palmares, do governo federal, que confere às comunidades o direito ao título de posse da terra, os habitantes remanescentes dos quilombos preservam o meio ambiente e respeitam o local onde vivem. Mas sofrem constantes ameaças de expropriação e invasão das terras por inimigos que cobiçam as riquezas em recursos naturais, fertilidade do solo e qualidade da madeira.

Fonte: www.ibge.br

Zumbi dos Palmares

Estendendo-se de meados do século XVI aos fins do XIX, a escravidão, nas Américas, de africanos e descendentes foi um dos episódios mais dolorosos da História dá Humanidade. Mas a toda essa crueldade, que despovoou a Africa e vitimou milhões de seus melhores filhos, opôs-se um modelo de resistência admirável: os quilombos.

Na Angola pré-colonial esses mitos de arraiais militares e núcleos habitacionais e comerciais, abertos a africanos de quaisquer etnias, já desempenhavam um papel político e econômico fundamental. Transplantada para as Américas, a instituição (chamada cumbe ou palanque na América hispânica) firmou sua importância na resistência à escravidão.

Mas de todos os quilombos americanos sem dúvida, o mais importante foi a confederação dé Palmares nascida por volta de 1590, quando escravos de um; engenho pernambucano, depois de uma rebelião sangrenta, refugiam-se na serra da Barriga, atual Alagoas, e lá criam as bases de um incômodo "Estado livre" em pleno Brasil colonial.

Até a destruição de seu reduto principal, em 1694 (cem anos depois), Palmares foi, de fato, um verdadeiro Estado autônomo encravado na capitania de Pernambuco: no auge de sua produtiva existência suas relações com as comunidades vizinhas chegaram a ter momentos de uma troca econômica rica e organizada. E essa autonomia, abalando a autoridade colonial, motivou uma repressão jamais vista.

De 1596 a 1716, ano da destruição de seu último reduto, os palmarinos suportaram investidas de 66 expedições militares e atacaram 31 vezes. E em toda essa luta avulta a figura do grande líder Zumbi. Estrategista comparável aos grandes generais da História ocidental, como Ciro, Aníbal, Alexandre e Napoleão, Zumbi dos Palmares, morto à traição em 20 de novembro de 1695, aos 40 anos de idade, é hoje visto como o maior líder da resistência anti-escravista nas Américas. O tricentenário de seu "ingresso na História", ora comemorado, é a final redenção de um dos maiores heróis da Humanidade.

Em fins do século XVI, escravos de um grande engenho da capitania de Pernambuco, depois de uma rebelião sangrenta, refugiam-se na Serra da Barriga, na região conhecida como Palmares, hoje pertencente ao Estado de Alagoas, e lá se organizam em kilombo - misto de arraial militar núcleo habitacional e comercial supratribal e supra-étnico, comum na -Angola daquele tempo.

Já na virada para o século XVII, o número de escravos e libertos reunidos em Palmares, e que por necessidade de sobrevivência descia para saltear os engenhos vizinhos, somava centenas de quilombolas. E à desorganizac,ão inicial seguiu-se uma estruturação do reduto. Tanto que, por volta de 1630, Palmares já teria cerca de 3 mil aquilombados, desenvolvendo uma agricultura avançada para os padrões locais e da época, plantando cana-de açúcar, milho, feijão, mandioca, batata e legumes; fabricando artefatos de palha, manteiga e vinho; criando galinhas e porcos; e desenvolvendo uma organizada atividade metalúrgica, necessária à sua subsistência e à sua defesa.

A chegada dos holandeses a Pernambuco, em 1630, e as guerras que essa presença motivou facilitaram a fuga de mais gente para Palmares. Em conseqüência, o quilombo (agora já uma confederação de aldeias) foi se fortalecendo e se transformando em uma real e perigosa ameaça ao poder colonial. Aí, então, a repressão tomou corpo.

De 1596 a 1716, ano da destruição final da resistência quilombola na região, os palmarinos suportaram investidas de 66 expedições coloniais, tanto de portugueses quanto de holandeses. E, em 31 vezes, tomaram a iniciativa do ataque.

Ivan Alves Filho, importante historiador contemporâneo das guerras palmarinas, divide essa história em quatro fases: na primeira, que vai de 1596 a 1630, os ataques coloniais se dirigem a quatro ou cinco aldeamentos, na segunda, de 1631 a 1654, fase da ocupação holandesa de Pernambuco as investidas se concentram na cidadela de Macaco, principal reduto palmarino; na terceira, de 1655 a 1694, travam-se as batalhas mais encarniçadas, aí ocorrendo a queda de Macaco; e, finalmente, na quarta, ocorrem as mortes de Zumbi (1695) e de seus sucessores Camuanga (desaparecido em 1699) e Mouza do Palmar (1716). Mas em 1725 ainda há tropas militares na Serra da Barriga, antecipando a ocupação oficial do território que se dá, afinal, no ano de 1736.

zumbi_dos_palmares.jpgHistória até agora conhecida reservou para dois deles, Zumbi e Ganga Zumba, o papel de protagonistas principais dessa verdadeira epopéia. E o ano de 1678 é o divisor de águas entre esses dois estilos de comandar: depois de sérias perdas suportadas pelos palmarinos em 1677, Ganga Zumba, então principal dirigente, negocia a paz com as autoridades coloniais e abandona a Serra com seus seguidores, provocando uma séria dissensão nas hostes palmarinas e o início da liderança de Zumbi.

Em 1680, no arraial de Cucaú próximo ao litoral, onde se estabelecera, Ganga 7.umba morre envenenado. E a partir daí a repressão a Palmares vai se tornando cada vez mais cruenta, com a participação de milhares de soldados, de milícias patrocinadas pelos senhores de terras e até mesmo de combatentes mercenários. Quinze anos depois, o líder Zumbi - após dezessete anos de combate em que se notabilizou como um dos maiores generais da história da Humanidade -, atraiçoado por um de seus comandados, morre, durante a expedição repressora de Domingos Jorge Velho.

A experiência palmarina foi a maior e mais longa contestação à ordem escravista em todo o mundo e em todos os tempos. Por extensão - e mesmo por ter sido Palmares um reduto que abrigava negros, índios e brancos pobres -, a saga de Zumbi é um rico episódio de luta contra o racismo. Assim, o dia que marca o seu "ingresso na História", 20 de novembro, foi escolhido como "Dia Nacional da Consciência Negra". Consciência que se amplia e se faz ainda mais alerta neste 1995, ano do Tricentenário de Zumbi.

Fonte: www.vivabrazil.com

                                   O Negro

Homem negro era uma continuação do meio na sua brutal grandiosidade geofísica, meio absorvente e bárbaro e na sua entomologia, a raça Bantu a mais adiantada, detentora das ricas terras do Congo e de Angola, caminhou a passos de gigante para a regressão em face dos usos e dos costumes de suas tribos e nações incapazes de absorver a civilização da raça branca para lá mandada pelos portugueses, tinha o culto da liberdade até extremos desconhecidos. Eram naturalmente anárquicos, não tinham união política images.jpgentre si, e suas autoridades entre eles quase sempre eram tirânicas, absoluta e absorvente eram indisciplinados e desobedientes, por estes motivos foi fácil de serem vencidos em toda parte e em todos os tempos, esta raça robusta e por isto ela foi facilmente escravizada, podemos dizer-se que a nação de autoridade, só lhe veio depois do contato com a raça branca, depois que a rainha Ginga Bandi conseguiu tirar todo o partido das ações missionarias com o qual melhorou a sua raça em civilização e costume de crê-se que o espírito dessa formosa e famosa rainha tenha acompanhado um punhado de negros descendentes dos N`gola que foram vendidos para o Brasil e aquilombados em Mato Grosso e que fundaram o reinado negro de Quariterê, onde tanto sangue se derramou como em Palmares. E os costumes das tribos africanas em geral pareciam estar no ínfimo grau de desenvolvimento a julgar por alguns signos característicos destas habitações em cavernas porém tais exemplos não poderiam ser representativo da raça africana em regra geral.

Pois o negro já estava fixado no solo e já constituía a sua tenda e quase todas os títulos protegiam as suas aldeias por uma cerca de arvores de troncos grossos e no recinto fortificado construíam as tendas formadas de juncos e palmas de forma cônica com teto de palha, que não possuía divisões salvo as vezes as dos chefes da tribo.Os utensílios domésticos eram todos de madeiras e pedra que serviam de assento, os pratos eram de argilas, cuias, facas de pedra e de ferro, vasos para água e para o preparo da comida, algumas tribos dormiam no chão sobre palhas ou peles e algumas tribos construíam tarimbas.

A ordem domestica era perfeita pois cada tenda era ocupada por uma família onde o homem exercia a autoridade suprema do lar e na sua ausência era exercida pela primeira esposa, pois a poligamia era um costume em todas as tribos, e todo o trabalho domestico e nas pequenas lavouras ficava a cargo das mulheres, tanto os homens como as mulheres enfeitavam-se com muito capricho, particularmente da cabeleira, entre muitas tribos era costume se tatuarem e furar as orelhas, o lábio superior e o septo nasal.

Os homens cuidavam de preparar as terras para as grandes plantações, em algumas aldeias existiam as industrias pastoril, também a caça e pesca era atribuições parta os homens das tribos. Sendo a caça no interior da África um serviço fatigante e arriscadíssimo, demandando grandes esforços, agilidade e coragem e de todos os animais eles aproveitavam a carne, o couro e do elefante o marfim. Era muito raras as aldeias não terem em forno para fundir ferro e uma forja para fabricação de ferramentas, armas e artigos de uso comum, as armas que usavam era o arco e a flecha, a zagaia, a lança e o cajado nodoso, a antropofagia era usada por algumas tribos do interior e da costa ocidental, todos negros africanos tinham grandes conhecimentos das virtudes de muitas plantas medicinas e a sua medicina consistia no emprego destas plantas acompanhadas de muitos exorcismo.

Eram muitos supersticiosos e tinham, entre eles os adivinhos e os feiticeiros que eram venerados por todos das tribos, se tatuavam com desenhos significativos que constituíam-se de figuras de animação de plantas e de desenhos geométricos o desenho era indelével e feito no corpo humano em geral no peito e nos braços e as línguas eram todas aglutinantes e os usos e costumes sempre varriam de tribos para tribos conforme o seu grau de civilização e de caráter religioso, a concepção da arte nos povos negros não eram de ordem estética mas tão simplesmente religiosa, a idolatria foi o mais forte motivo da arte negra em conseqüência do meio bárbaro em que viviam e os brutais contraste que o cercaram desde o alvorecer de sua idade, o negro criou a arte segundo a sua emoção e essa arte e arte e é beleza porque representa o seu conhecimento de tristeza, a sua dor e o seu medo. A raça negra sempre tiveram grande pendor para as danças e a mais característica é o batuque, que o acompanhou na trajetória dolorosa de sua migração forçada para o cativeiro, e as suas danças consistiam num circulo formado pelas dançadores, indo para o meio de um preto que depois de executar vários passos, dava uma imbicada a quem chamava de semba na pessoa que escolhe entre as da roda, a qual ia para o meio do circulo substitui-lo.

Os instrumentos musicais eram mais guerreiros que de diversões e o principal deles era o tong-tong empregados nas solenidade de guerra, nas festas populares usavam o balafo muito usado na costa do ouro, tinham o berimbau, canzá, e o tambaque e estes instrumentos acompanharam os palmerinos para amenizar os seus sofrimentos e resistir as dores e aos desesperos.

Zumbi dos Palmares

A vida de Zumbi, o rei do quilombo dos Palmares, é pouco conhecida e envolta em mitos e discussões.

Descendente de guerreiros imbamgalas ou jagas, de Angola, Zumbi nasceu provalvelmente no início de 1655, numa das aldeias do quilombo de Palmares.

Aprisionado com poucos dias de vida, pelos soldados da expedição enviada a Palmares sob o comando de Brás da Rocha Cardoso, foi entregue ao padre português Antônio Melo, do distrito de Porto Calvo, Alagoas, que o criou e batizou dando-lhe o nome de Francisco.

O padre ensinou-lhe a ler e escrever português e latim. Aos dez anos tornou-o seu coroinha e o elogiava dizendo que o menino era dono de “um engenho jamais imaginado na sua raça e que bem poucas vezes encontrara em brancos”.

Quando tinha 15 anos, em 1670, Francisco fugiu da casa do padre e voltou para sua gente e suas origens no quilombo de Palmares, trocando seu nome cristão de Francisco pelo nome africano Zumbi.

Não se sabe com certeza o significado etimológico e histórcio do nome do rei de Palmares. Há na mitologia religiosa africana uma divindade suprema chamada Nzambi (Nyambi, Nyame), assim como existe também o termo Zombi (nzumbi) que em Angola significa defunto . Alguns cronistas também falam que significaria “deus da guerra “ ou até “morto-vivo”. Não existe, no entanto, uma comprovação definitiva sobre a origem da adoção do nome.

Zumbi teve pelo menos cinco filhos, mas não há registro histórico sufuciente para comprovar a tese tradicional que ele teria se casado com uma mulher branca de nome Maria.

O nome de Zumbi apareceu pela primeira vez em documentos portugueses, em 1673, quando uma expedição chefiada por Jácome Bezerra foi desbaratada.

Tornou-se um grande guerreiro e estrategista militar na luta para defender Palmares contra os soldados portugueses. Foi ferido com um tiro na perna, em 1676, em um combate contra as tropas de Manuel Lopes Galvão.

Em 1678, após o acordo de paz assinado por Ganga-Zumba, então o chefe dos Palmares, com o governo de Pernambuco, Zumbi rompeu com ele e foi aclamado como Grande Chefe pelos palmarinos que também não aceitaram o acordo.

Subordinou toda a vida do quilombo em função das exigências da guerra: deslocou povoações para locais mais remotos; incorporou e treinou para a luta todos os homens válidos ; aumentou os postos de vigilância e observação; reuniu armas e munições e reforçou as fortificações da aldeia do Macaco ou Cerco Real, o quartel-general do quilombo, tornou-a quase inexpugnável e decretou a lei marcial: quem tentasse deserdar seria morto.

Durante os anos de 1680 a 1691, Zumbi conseguiu derrotar todas as expedições enviadas contra o quilombo dos Palmares.

Em 1692, a aldeia do Macaco foi atacada por Domingos Jorge Velho que teve suas tropas arrasadas. O quilombo ficou sitiado, mas só capitulou no dia 6 de fevereiro de 1694, quando o exército português, bastante reforçado, conseguiu invadir o local derrotando os quilombolas.

Baleado, Zumbi caiu num desfiladeiro, o que deu origem ao boato que o herói tinha se suicidado para evitar a reescravização. Entretanto, ele conseguiu escapar e, em 1695, voltou a aparecer, atacando algumas povoações em Pernambuco, provando que não havia morrido.

Só foi capturado, no entanto, no dia 20 de novembro de 1695. Traído por um dos seus principais comandantes, Antônio Soares, que revelou o esconderijo de Zumbi em troca da liberdade, foi morto, esquartejado e teve a sua cabeça exposta em praça pública na cidade de Olinda.

Atualmente, no dia 20 de novembro, é comemorado no Brasil o dia da Consciência Negra.

DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

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A cada ano, o dia 20 de novembro se consolida como uma data de grande significado no calendário histórico nacional. A memória de Zumbi dos Palmares reafirma-se no panteão dos heróis que escreveram, com a própria vida, a história do povo brasileiro, na luta por ideais grandiosos, tais como igualdade e justiça social. O Quilombo dos Palmares é um dos principais símbolos da resistência negra na época da escravidão, também conhecido por Angola Janga, que significa Angola Pequena. Localizava-se na Serra da Barriga, atual Estado de Alagoas, local de grandes plantações de cana-de-açúcar.

Durante cem anos (1595-1695), Palmares constituiu um foco de resistência aos ataques da Coroa, conseguindo também ter uma vida social extremamente organizada, chegando a contar, em 1640, segundo os holandeses, quase dez mil quilombolas. Era de interesse dos grandes proprietários de terra aniquilar Palmares, para tentar recuperar escravos e para evitar que, tendo Palmares como referência, os escravos tivessem maior motivação para a fuga. Para Zumbi, o mais importante não era viver livre, mas libertar todos os negros ainda escravos. Em função da sua expressão histórica e da resistência que representa, o dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, foi adotado pelo Movimento Negro Brasileiro como o Dia Nacional da Consciência Negra, data que é celebrada em todo o país.

Se prestarmos atenção às pessoas que estão ao nosso redor, veremos que muitas têm avós italianos, pais árabes, origem espanhola, alemã ou portuguesa. Mais claramente, veremos uma grande maioria de crianças ou adultos com traços fisionômicos que evidenciam sua origem negra. O negro é talvez o elemento que maior contribuição trouxe à formação da cultura brasileira. Nos porões dos navios negreiros, já vinham os germes do samba, do frevo, do candomblé, do carnaval, do culto à Iemanjá, do sabor quente e forte de nossa comida, além de crenças e hábitos os quais nos acostumamos tanto, que nem paramos para pensar de onde vêm. Mas hoje, 113 anos depois de outorgada a abolição da escravatura, ainda podemos acompanhar a luta das ONGs com a questão racial para mudar a imagem social do negro no País.

A cultura negra sempre esteve atrelada à escravidão e ao preconceito. A maioria das pessoas acredita que existe um racismo silencioso, pois muitas delas preferem não falar sobre o assunto. "O racismo explícito, pelo menos no meio urbano, vai se enfraquecendo, principalmente por conta da consciência crescente de que é prática criminosa. Mas o preconceito (que é o racismo subterrâneo) continua. E é fomentado, principalmente, pelas novelas da Rede Globo, que são um veículo muito poderoso", comenta Nei Lopes, compositor e um dos maiores estudiosos de história do povo negro no Brasil.

O preconceito racial é sempre adquirido através da aprendizagem. Em geral, a pessoa é levada desde criança a ter idéias e atitudes preconceituosas, por viverem numa sociedade em que predominam valores racistas. "A sociedade brasileira põe na nossa cabeça - veja os negros sempre fazendo papel de subalternos nas novelas - que nós somos inferiores, porque nossos antepassados foram escravos e os dos donos do poder foram senhores. Prevenir isso só através da Educação Fundamental, com uma revisão completa da História, e por meio de ações governamentais afirmativas", diz Nei Lopes.

Apesar do mito da democracia racial, os índices de desigualdade econômica e social entre negros e brancos demonstram o grau de racismo existente no País. A realidade contemporânea reflete estereótipos do tempo da escravidão, com o negro continuando a viver à margem da sociedade. Ainda segundo Nei Lopes, há razões históricas para isso: " A Abolição foi feita de qualquer maneira e não teve medidas que a complementasse. A sociedade de então optou claramente por branquear a nação pela imigração européia e jogou os recém libertos, literalmente, no lixo. Sob o ponto de vista histórico, o racismo serviu freqüentemente para justificar a dominação e a exploração de um grupo por outro. Hoje, quase metade da população do País é negra, mestiça ou parda, não tendo realizado o sonho das elites brasileiras com a vinda dos imigrantes europeus.

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E OS NEGROS CONTINUAM A HISTÓRIA....

O reconhecimento da importância da cultura negra no dia-a-dia nacional e de suas dinâmicas positivas como modelo civilizatório tem se expandido. Sua essência musical, a capacidade desse coletivo de transformar condições adversas em fatores de desenvolvimento humano e alegria, sua estética rica em diversidade, sua religiosidade inclusiva, passam a ser percebidas no conjunto da nação como elementos positivos da nossa diversidade.

A obra do negro no Brasil, encontra-se também esculpida ao som dos tambores, com a sabedoria das negras velhas e a elegância da capoeira.Desde a época da campanha dos escravistas contra o quilombo de Palmares ficou o registro do termo capoeira, dos guerreiros das capoeiras e sua estranha forma de luta, que tornava homens desarmados capazes de enfrentar e vencer vários adversários.

O Mito e o Guerreiro Zumbi, transcendem à sua pessoa e no correr dos séculos ecoam como um símbolo de resistência à subjugação do homem pelo homem. Que sua imagem mantenha acesa a chama da esperança de um dia podermos todos caminharmos de mãos dadas, sem problemas raciais, pelo alcance da união fraterna entre os povos.

"Ei, Zumbi! seu povo não esqueceu
a luta que você deixou para prosseguir.
Ei, Zumbi! os novos Quilombos,
com seus quilombolas, lutam pra resistir.
Ei, Zumbi, Zumbi Ganga, meu rei.
Você não morreu, você está em mim."

Instituto Zumbi Tronyc

Jameson Lucena da Silva.

Johny Lucena da Silva.

Do Melhor Linkk | del.icio.us

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